2012/02/02

Melhores amigos

Toc toc!
Você veio?
Claro.
Não acreditei que viria.
Você não acredita em quase nada mesmo.
Bem, trouxe o combinado?
Até a última gota.
Vai ser suficiente?
Quem sabe... não conheço a sua pressa.
Mas você nunca me decepciona.
E você nunca me desaponta.
Então, vamos começar que a vida pode ser mais curta do que imagina.
Tim tim.

2011/10/23

Árvore


Alguns admiram você a distância, outros praguejam a sua existência por poluir o horizonte.

Existem os pombos. Pousam, cagam e voam. Vêm e vão como aves de estação e eventualmente descansam sobre você.

O casal de namorados, sim o casal de namorados! Eles aparecem todos os dias, estendem um pano na grama, fazem piquenique em sua sombra, marcam corações em seu tronco e trocam juras de amor.
O casal de namorados faz a árvore se sentir feliz, mas, como as nuvens do céu eles um dia simplesmente se vão. Desaparecem sem adeus e nunca mais voltam a te visitar.

As sementes desaparecem no horizonte com o vento e suas folhas nunca são vistas antes da morte da árvore.

Ser árvore é o exercício do observar e do autruísmo. Não vai te fazer mais sábio, não vai te fazer mais feliz, não vai te fazer nada melhor... Mas a sua existência muda o mundo e ajuda o fluir da paz nos corações alheios.

… já ia me esquecendo. De vez em quando alguns dizem obrigado.

2010/11/29

Miss Butterfly



Dias comuns são só mais alguns dias nas nossas vidas. Dias incomuns são "aqueles" dias que fazemos questão de guardar na memória e relatar eventualmente para alguém... ou simplesmente para nós mesmos.

Era um fim de dia comum. Gripe de fim de ano, conversa ocasional com namorada, trabalho, estudo... O retorno a pé da faculdade fazia parte da minha rotina dês da época da graduação e aquele caminho por onde passei, eu conheço de cor!

Bem, o caminho eu sei de cor mas as pessoas mudam com o tempo.

Enquanto andava me concentrando para andar bem vejo um comum grupo de meninas do colégio próximo à minha casa andar de volta para casa, em minha direção, e nesse instante, enquanto uma elas se aproximavam de mim, uma delas tenta levantar o cabelo e ensaiar um olhar sensual enquanto me diz: _Quero te amar!

Risadas do grupo, risadas minhas, uma piscada reflexiva, uma ótima sensação de auto-estima elevada e um dia engraçado para por no papel. Acho que vou escrever um conto inspirado nisso: "Miss Butterfly".

Boa noite Miss Butterfly!

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2010/10/24

Ink Face

Psicolepsia...

Tinta tinta e borrando vai. É sempre assim, no início parece tudo igual. Traços simples, cores de sempre, qualquer forma de sempre gera impacto. Não vale a pena perder tempo em traços novos se o de sempre, sempre, é suficiente para satisfazer a todos.
Tinta, tinta e os cortes na face se vão. É difícil enxergar por de trás de tão grossa linha de expressão. Alias, é difícil enxergar uma linha de expressão hoje. Todos são os mesmos e patéticos bonecos de pano de sempre.
Tinta tinta... porque continuo a querer pintar mais?



2010/08/30

Minha mão estava, ali, estendida na direção da desconhecida. Eu, perdido entre sons e predições, estava lá: tentando não fingir não ter medo da vida infinita e realmente não o te-lo. Viver! Deixar o fluir do sangue inchar veias por sua cabeça e o palpitar do seu coração balançar seus pensamentos! Em que momento será esquecemos como é viver... mas, não havia mais escapatória: Ali, minha mão esperava uma resposta.

Naquele salão escuro, música ao fundo cobria o ambiente de um ritmo abstrato. Era alegre para quem buscava alegria assim como dramático ou até romântico. O estado de espírito guiava seus ouvidos. A música, só mais um parceiro na dança.

E meus ouvidos, já muito sincronizados com tal ambiente, não escutavam mais romance, drama ou alegria. Eles já estavam gastos e o único som que escutavam era um tremendo vazio que, raramente, transformava-se em doce melodia. A melodia da companhia era rara e tinha um custo alto para mim.

(continua...)

2010/06/15

Em meio a notas de rodapé e tons sensuais rondando minha mente, costumo vislumbrar sonhos presentes não vividos. Espalho tintas pelo chão e brinco de encontrar formas desconexas como nossas vidas desligadas.
Nosso contato não existe mas nossos laços são reais. 
Ali, perdido em uma aquarela de intensos sentimentos conforto o meu coração ao tocar o seu coração rubro no papel.

.....

Abra a porta, deixa sair esse sentimento e encher seu quarto de prazer. Estreite os passos, permita-se viver esses momentos sublimes, raros, quentes e desejados na vida. 
Feche os olhos. Encontre mais que a realidade a sua volta. Vislumbre o mundo interior e a loucura magnífica do amor em sua vida. 
Amor que cede e toma, amor que acolhe e se doa, amor que cria e destrói bons e maus caminhos na vida. 

Permita-se!
  


2010/04/18

Porque aquelas cores de suas rendas, próprias de sua vulgaridade, insistem em permanecer em meus olhos? Eu quero apagar meus sentimentos como todo o resto de minha memória para que nada em suspenso continue vagando em meus pulmões... me atrapalhando a respirar... impedindo-me de acordar.

E a cada vez meu corpo se mostra mais frágil e menores são as  minhas histórias. Lembranças cada vez mais intensas e cada dia em menor número. Qual será meu destino? Uma degradação completa de dor e portos sobrando somente um único sol em minha mente? E por fim quando nada mais lembrar minha vida se resumira no eterno reencontro com o passado que viverei no futuro.

E muitas e muitas vezes assim eu morri. E muitas e muitas vezes assim descobri que ainda não estava morto. Um eterno despertar de um pesadelo recorrente. Quanto tempo mais eu vou suportar? E porque, porque, porque aquelas cores das vulgares rendas de suas roupas íntimas insistem em permanecer em meus olhos?

Vinte e nove sois hoje me iluminam. Espero ser capaz de viver com somente vinte e nove estrelas no céu.

2010/01/02

Estranho plágio...

Eu digo, não tenho mais palavas para contar. Como o amor pode ser áspero como as palavras do seu falar? Mesmo assim eu conto: prefiro amar que viver vazio. / Não fuja de mim. Não me deixe a imaginar seu olhar. Agora eu sei que o caminho, tortuoso para você e para mim, devagarzinho a mesma estrada pode tomar. / Deixe-me ver as mesmas estrelas que você vê. E tantos pensamentos que temos para compartilhar... a única verdade é que mesmo incertos podemos nos encontrar. / Não sei mais quem você é e o que está a viver. Mas eu quero a minha mão estender em uma simples idéia. Se a paixão e o amor cessar um dia em fim, em meus braços com carinho vou cuidar e abraçar-te até morrer.

2009/11/09

Erosão da Liberdade

    Assusta-me e ao mesmo tempo impressiona-me ver a gradativa perda de pequenos alicerces que sustentam, talvez, um dos poucos motivos que valha a pena lutar: o direito de ser livre.
    Dia após dia vejo pessoas abrindo mão de sua escolhas físicas e psicológicas para aceitarem assim seguirem caminhos prontos, catalogados e "aprovados" da sociedade.
    Desta forma velada pouco a pouco nos tornamos seres sem escolhas que somente fazem o que se deve e é permitido fazer.
    A liberdade não está sendo removida pela proibição do direito de fazer, mas sim pela remoção das escolhas em si.
    E as pessoas, em uma reação assustadora, estão aceitando bem tais emoções e simplesmente limitando cada dia mais suas mentes e universos.    
    A panela está esquentando, e a pressão aumentando... Quanto tempo mais o mundo vai tolerar ser preso e infeliz? Provavelmente alguém vai ter que morrer para tal carga detonar.... ou alguéns.
    
   

2009/10/13

Era como uma flor frágil, delicada e sensível. Minhas mãos tocavam sua pele e seu corpo respondia com espasmos, calafrios que gradativamente a possuíam, enquanto calores misturavam-se confusamente em  seu colo.
As distâncias entre meu ser e tão refinada anima eram cada vez menores mas, a cada momento, percebia seu medo a levar psicodelicamente  para longe de mim... a proximidade e a distância assim como o desejo e o medo em um só corpo.

2009/09/30

Ensaio...

Sei não, a vida não tem graça sem uma paixão. (Sim, concordo, é quase tão brega quanto rimar flor com amor. )

    Dias de um escritor, até certo ponto, podem ser muito tediosos. Você para algumas horas para ler algo interessante, dedica mais outras horas para escrever algo interessante e no entremeio toma uma cerveja com alguma amigo ou com aquela sua vizinha assanhada.

    Essa era a rotina corriqueira que Haroldo costuma, eventualmente, ter. Mas alguns solavancos que realmente o faziam escrever algo que realmente prestasse e não essas crônicas de fim de semana.

    Ontem, lá pelas sete horas, o sol tinha acabado de se despedir com seus últimos raios e ele pensava com meus botões o que iria acontecer em mais uma noite da sua vida enquanto olhava sua caixa de correio. Muita gente não pensa tal tipo devaneio, simplesmente vive mais uma noite na vida e pronto. Haroldo todavia nunca teve muita aptidão para "mais uma noite", o que fazia dele um forte candidato a nunca ter "mais um dia" como o que frequentemente acontece.

    E aquela noite começou com um convite, muito peculiar, enviado em um envelope vermelho com mosaicos pretos, encontrado em sua caixa de correio logo abaixo de sua conta telefônica.

    _Propaganda de natal? - Conversava ele consigo mesmo enquanto abria o convite sem remetente. Talvez julho fosse um pouco cedo demais para isso... Contudo, antes sequer de sentir a bobagem que disse, seus pensamentos foram tomados por outras idéias...

...Continua


2009/09/24

Quanto mais corria mais próximo ele se sentia. A fuga era inútil e desesperada. Seus pensamentos consistiam somente em faces sobre pontos de vista diferentes. Talvez estivesse estimando algo que nunca haveria de existir, talvez estivesse vivendo algo que nunca chegou a existir. Eram poucas opções ao seu dispor e, assim, escolheu o mais sensato: para e olhar para dentro de si mesmo.

2009/09/15

    "Become unpredictable [...]   let your moves flow out of your individual essence. [...] The moves created from your own individual unique essence may suprise even you." -
Sword Master, Afro Samurai

    "Torne-se imprevisível [...] deixe seus movimentos fluírem para fora de sua essência individual. [...] 
Os movimentos criados a partir de sua própria essência individual e única podem surpreender até mesmo você."

Sword Master, Afro Samurai

....................

    Naquela noite ela não pretendia dançar. Por alguma razão, pouco conhecida até por ela mesma, estava se sentindo um tanto quanto frustada com a dança. Era como se finalmente conhecesse todas as cartas do baralho: formas, ordens, cores e maneiras de serem distribuídas.
   
    Entretanto, um grande vão existia entre a sua destreza e o brilho de uma verdadeira dançarina. Algo faltava, não estava no seu lugar ou não estava sendo bem aplicado. Era como se somente "conhecer" a dança não fosse suficiente. Sentia-se repetitiva, fosca... entediada.

    Mas a sua perseverança em acreditar que algo fora do previsto pode sempre acontecer a fazia, por mais desmotivada que estivesse, procurar mais um baile para dançar. Talvez sua próxima dança poderia mudar a sua vida. Contudo, como previsto que não seria esperado, não foi exatamente a dança que mudou sua vida.

    Ela chegou. O salão estava um tanto quanto mais escura que o normal. Alguns desenhos brancos de casais reluziam por causa da luz negra compondo uma apresentação mais intimista a casa. Uma casa intimista cheia de pessoas tímidas - pensava a jovem dançarina.
    Os minutos corriam enquanto ali, sentada em uma mesa próxima a pista, observava os pares e seus movimentos. A maioria dos homens com os quais poderia dançar se encaixavam em um repetitivo e massante padrão que era a última experiência que ela procurava.
    Nesse instante, perdida em suas observações pessimistas, ela escuta uma voz enquanto uma figura surge em pé ao seu lado e lhe estende a mão: 

    _ Oi, vem dançar!

    Três fatores muito diferentes naquele momento que a trouxe de volta ao mundo real estavam evidentes: primeiro era que simplesmente não conhecia o sujeito moreno de olhos castanhos e expressão obscura em sua frente, segundo aquilo não era um convite, pedido ou chamado, mas sim uma afirmação! E terceiro a postura, o olhar, a forma... a linguagem que seu corpo usava, e o que dizia, era sutil mas penetrava com profundidade.

    Diante daquela situação era impossível recusar. Sua curiosidade a mataria ao menos pelo resto da noite. Sem dizer qualquer palavra ela se levanta e o acompanha até o meio do salão. Ao chegarem era exatamente antes de uma nova música começar Um silêncio, que geralmente não dura mais de cinco segundos, parecia se extender por minutos em sua cabeça enquanto que, parado diante dela, seu misterioso parceiro de dança a segura e diz:

_ O que você acha de tirarmos essa dançarina de dentro de você hoje?
_ Bem, acredito que ela esteja bem viva aqui na sua frente.
_ Eu também a vejo, sim, mas em um ponto bem mais profundo.


    Aquela conversa com proximidade corporal, cheia de olhares e expressões, podia continuar durante toda a noite. Mas a música começou e havia uma dança para viver.

    Logo a princípio ela percebeu que tratava-se de um cavalheiro cuidadoso e progressista. Em resumo, ele iria sentir sua dançarina e tentar perceber até onde poderia chegar com ela. E, de certa forma, assim foi acontecendo. Pouco a pouco, enquanto a dança se desenrolava sem qualquer fator diferente, a complexidade dos movimentos do casal aumentava.
   
    Em certo momento, em uma pausa da percussão, seu condutor para acompanhando o fluxo e contexto da música. Ela, acompanhando com leveza sua condução, para com braços esticados horizontalmente, esquerdo mais alto que o direito, na frente de seu par, de costas para ele, e rente ao  seu corpo.

    Naquele instante uma voz veio ao seu ouvido. Não sabia ao certo se era a voz do seu misterioso par ou se simplesmente escutou algo dentro de sua cabeça. Se tivesse bebido alguma coisa a mais já acharia que estaria escutando coisas. Independente de onde veio, aquela frase reverberou em sua cabeça:

_ Entenda: dançar é se permitir sentir Liberte seu corpo das amarras de sua mente e o deixe livre para ser viver. Permita-se sentir, e fazer sentir, seu companheiro e seus movimentos como nuvens se formarão por si sós: sempre diferentes ainda que sempre nuvens.

    E, como todo instante e toda pausa de qualquer música, aquele momento passou. A dança continuou e o casal continuou a movimentar-se. Mas ela não mais dançava. Alias, ela havia entendido ali naquela música o que era dançar de verdade.

    Calor, cheiros, tensões, olhos, sons, pulsões, toques, provocações, sorrisos e breves paixões. Ela entendeu, quase como uma iluminação, que aprender a dançar era no fundo aprender a permitir-se viver intensidades com alguém ao invés de somente estar presente.

    E a música terminou. Ela parou um pouco deslumbrada, surpresa, confusa, realizada... perdida em uma miríade de sentimentos. Olhou para a face de seu par, como quem espera algo que justifique todo aquele acontecimento. Ele a observou, sorriu e a beijou na face enquanto dizia:

 _ Maravilhoso! Fico muito feliz em ter o privilégio de sentir a mulher que você verdadeiramente é. Espero que tenha à feito tão feliz quanto me fez nesta dança.

    Logo após ela o viu virar-se e andar pelo salão enquanto seu olhar o perdia em meio a outras pessoas quaisquer. Ela nunca mais o viu, sequer sabe seu nome, mas daquele dia até os últimos de sua vida o brilho de sua dança nunca foi tão intenso e incomparável a qualquer pessoa que conheci em toda a minha vida.