Loucuras, devaneios, idéias e pensamentos fluindo durante a noite
2008/07/21
Certas vezes observo com descrição os detalhes das pessoas.
Abro mão de meus padrões e noções lógicas permitindo somente um corpo intuitivo de minha mente ver os fatos como realmente são, sem véu, sem máscara, sem mentiras. Das muitas coisas que eu vi, uma em especial prendeu a minhas atenção.
Não era somente sombras, ou leveza. Muito menos formas ou descrições. Não era beleza, sim, não era beleza ou exuberância, não era fantasioso e tão pouco sentimental.
Talvez um "ponto de honra", como uma flor de dignidade, decoro, elegância, no meio de um imenso salão de gafanhotos.
Mas para mim, não era nenhuma palavra. Somente uma elegante sedução feita com poucas palavras.
Ele andava pelo deserto e repentinamente não viu mais sua sombra. Procurou em todos os lados, observou as solas dos pés mas nada encontrou. Intrigado começou a olhar ao seu redor, como quem procura um ladrão em fuga e ao mesmo tempo deseja não ver o responsável por tão medonho acontecimento. Assustado e confuso ele correu em desespero, como se o deserto fosse guia-lo para algum lugar. Então, tropeça. Cai com as mãos na areia e observa de perto aquela terra que o cerca. Nesse momento, pensa consigo mesmo: quem é você agora homem sem sombra? Do que é feito? Será se ainda estou vivo? As dúvidas enlouqueciam sua mente e, em desespero, ele começa a chorar. Nesse momento ele olha para o deserto, e vê sua sombra novamente, ali, presa aos seus pés. Tranquilo, o homem volta a caminhar...
2008/06/30
Fogo exita Chamas em seu cabelo Intensas, vermelhas Calor da Intenção A mascarar detalhes Detalhes róseos de sua face Uma criança Sutil Buscando abrigo Carinho Mas anda coberta em chamas Poucos ousam nelas mergulhar Muitos gostariam delas apagar E, então, veriam Cinzas negras que se perdem no vento
Talvez Partida seja o mais intenso dos sentimentos Você se enche de esperança Vontade, curiosidade Durante um instante, um orgasmo, O mundo torna-se mais vivo
Estou partindo Não sei o que irei encontrar, ou se irei voltar Mas, de forma dionisíaca, estou extasiado Afinal... Estou partindo
2008/06/22
Viajando, mas volto...
2008/06/16
Devorar Comer Consumir Mastigar Engolir Absorver Em minha mão Em minha boca Em minha língua ... ... Em mim
2008/06/10
Eu sou a moldura E você, onde quer que esteja A pintura
2008/06/09
O brilho O doce brilho das diferenças Como uma estrela, ou espelho Reinventando o já inventado E nesta tela de tons tão iguais Porque não ser diferente?
Da esquerda para a direita, as modelos Miriam, Mischa e Steffi posam para fotos prontas para participar do festival alemão de pintura corporal (Foto: Martin Oeser/AFP)
2008/06/06
Vai, mostra sua boca me enche de desejo me faz amar para sempre
Vai diz que é mentira me prova com sua lingua que o amor não é de uma mentira mentira mentira mentira
2008/06/04
Se aquela mesa fosse minha mesa Talvez Seria assim A cadeira do lado um jovem Observando A distante mulher Na sacada do outro lado da rua Na cadeira em outro lado A mulher de cabelos curtos Loiros Em vestido branco E branca, como Titânia Fintaria a mim Um jovem escritor em uma mesa A devanear com seu caderno E na terceira cadeira Um elegante homem De mãos delicadas Com as bordas dos olhos Veria as pernas cruzadas Em um vestido negro a sua frente Mas, na quarta cadeira Estaria eu Em alguma forma Curioso pelas pessoas de minha mesa E seus olhares externos Enquanto conversava sobre Trivialidades da vida Mas Aquela mesa não é minha E ninguém está sentado É só mais uma tediante e repetitiva Mesa vazia
2008/05/29
Quer conhecer? Quer conhecer? Deixar o vislumbre de lado Mergulhar nas sombras do corpo Descobre nomes e formas
Quer aprender? Quer aprender? Perceber ações e reações Sentir temperatura, textura, odores... Abrir colos e ver por dentro
Mas, sabe, não tem mais graça perguntar Por que ninguém mais sabe responder Hoje só se aprende a esperar E só se conhece a covardia
Mergulha Mergulha Desce lá no fundo Quando nada mais enxergar Olha para cima e veja a luz
Eu sou a luz
Volta Volta Vai ter vontade de conhecer Vai querer aprender Sozinho é só escuridão Mas comigo Comigo É luz!
2008/05/26
No fundo foi o furor Levou-me as profundezas Aos horrores abissais Em busca de um coração
E com meus versos Paguei o preço da minha alma Guiada viva por Caronte Para o caminho do meu destino
Lá muitos enfrentei Temores Tristezas Tudo era derrotado pela busca
Traria de volta Um fruto do meu egoísmo? Levaria para lá Um fruto do meu autruísmo?
Retornei As margens do Aqueronte Não tenho coragem de olhar para trás Não consigo voltar meus olhos para mim E ver que agora vivo sem um coração
É uma pergunta ou uma afirmação? Como se eu fosse nítida Medo do desconhecido Meiga e manhosa... Delineado, contornado e obviamente bonito Não presto Procuro não dividir as coisas "Amore"... As pessoas se interessam pelo o que somos Vou ficar nua para você Foi dolorido Tenho notado isso Arrancando pedaços
2008/05/14
Um dia Olhando para mim Eu te vi De uma forma sutil Você se mostrou Ao meu arredor Sua marca deixou E foi assim Para todos os lados Em qualquer canto Eu só podia te ver Só podia te ver